Boa tarde seguidores e leitores do blog.
Bem, essa semana completam-se 6 meses desde que o nome ESCLEROSE MÚLTIPLA entrou na minha vida.
Escrevia bem assiduamente, então, vcs sabem muito do que se passou nesse tempo.
Nos ultimos tempos não tenho muitas novidades: continuo firme e forte com as injeções de copaxone, todos os dias, sinto que me recuperei totalmente do surto de maio (sem sequelas, graças ao meu bom Deus), voltei com tudo ao trabalho e a minha vida doméstica também está nos eixos.
O ano fatídico, 2013, está chegando ao fim. Nem ouso comemorar, pois aprendi na pele que a vida da gente muda de um dia pro outro. Assim que eu abrir meus olhos e estiver vivendo 2014, com a graça de Deus, comemorarei como nunca. Eita ano difícil. Mas, tentando ver a metade do copo cheia, eita ano cheio de lições.
Firmei amizades, perdi muitas outras. Tive a real percepção de família e de como as pessoas se vendem por dinheiro pouco e imoral. Mas, no todo, aprendi que cada um traça seu destino. Mudei muito minha fé, mas ainda assim ela só cresceu.
Criei um vínculo indissolúvel com a minha Clara, de ver ela cuidar de mim, de poder ter ela perto e agradecer a Deus por isso, e ver a raiva pelo abandono da minha mãe se transformar em piedade, pois ela perdeu a chance de viver comigo o que eu vivo com a Clara todo dia. Uma pena.
Ainda estou aprendendo a lição maior disso tudo, que é o dissabor da solidão. Da sensação de estar sozinha. Aos poucos o véu sai dos meus olhos e vejo que tenho companhia constatante. Primeiro de Deus, que é meu pai e amigo, a minha própria companhia (da qual aprendi a desfrutar),a companhia da minha filha e da minha cachorrinha (contei para vcs sobre a Geralda?). Tenho a incrível presença dos meus poucos amigos, que me dão amor falado e vivido (Lílian e a incrível família Camarinha, mães dos amigos da Clara que viraram amigos meus - Lau, Camila, Ivana, Verlane, Gabi, Adriana, entre outras - que cuidam de mim e me mantem num estado mental alegre, feliz, normal.).
As perdas de pessoas ( começando pela minha vó e terminando pelas que morreram e continuam vivas) ainda doem, porque parei de me achar super mulher e comecei a me ver como humana. Sentir dor por essas perdas não me faz "otária", como eu mesma me cobrava. Me faz humana, normal, digna. Se isso não acontece do outro lado, sinto muito. Mas no todo, tenho vivido muito bem, lidado com isso a cada dia de forma melhor.
Minha relação com o Felipe voltou a ser como era no início: somos antes de qualquer coisa, AMIGOS. E isso me sustenta tanto, me faz tão feliz... AMÉM.
No todo, a esclerose virou um detalhe. Nem lembro dela todos os dias, exceto pelas injeções. Por falar nelas, me acostumei, não sinto mais dor nenhuma ao aplicar, continuo sem surtos e sem efeitos. Em breve começarei o tratamento com vitamina D, mas ainda tenho muito receio quanto à dieta. Estou na expectativa.
No todo, esses 6 meses foram de muita luta, de muito aprendizado. Aos poucos, tomar injeção todo santo dia virou ritual comum, como escovar os dentes. Aos poucos, voltei a ser eu, somada a uma força que nem sabia que tinha. Fiquei orfã de muitas coisas, mas virei uma pessoa melhor e mais forte. Sou perfeitamente capaz de perdoar qualquer coisa, mas não compactuo mais com o que não concordo, não calo mais a minha voz. Nem por isso perdi a educação que vovó me deu. Rs.
Agradeço a Deus, pela minha vida, exatamente do jeito que ela é. Ela não é carma, ela não é triste. Minha vida é rica de coisas, de momentos, de pessoas, de histórias e eu a amo muito. Vou viver minha filha, minha família, meu trabalho que eu amo tanto. E vou ser feliz, seja do jeito que for.
Agradeço a Deus pela coragem e pela percepção que passei a ter. Quando descobrimos o quanto viver pode ser louco e rápido, perdemos medos, colocamos planos em prática. Esse ano entrei em dois amigos ocultos. Lembro de no ano passado ter ficado triste por que nunca mais havia participado de um. Esse ano ME DEI de presente um ensaio fotográfico, onde eu apareço na foto, junto com meus amores. Esse ano vou passar, pela primeira vez desde cassei, a noite de natal na minha casa. E outros planos seguirão...
Olhando pra trás, vejo que vivi os últimos 6 meses com muito mais intensidade do que tinha vivido os 28 anos anteriores.
Então, só posso agradecer. Só.
Beijo, beijinho, beijão.
Carol.